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Como os clãs políticos loteiam as vagas para 2026

Qual é o real preparo técnico, a formação administrativa ou o histórico de atuação social desses novos nomes?

Como os clãs políticos loteiam as vagas para 2026
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O cenário político caminha para o próximo pleito sob o signo da continuidade familiar. O fenômeno das dinastias, longe de ser uma relíquia do coronelismo do passado, se modernizou. Hoje, o "sobrenome" funciona como uma franquia política altamente lucrativa, onde mandatos são tratados como espólios hereditários e as vagas nos legislativos estadual e federal são loteadas muito antes de o eleitor tocar na urna.

Para que essa engrenagem funcione, o preço cobrado da sociedade é alto. Prefeitos, deputados, senadores e governadores abandonam progressivamente os objetivos públicos e as obrigações para as quais foram eleitos, deixando em segundo plano as mazelas históricas de suas cidades e regiões — como a saúde precária, a falta de infraestrutura e a insegurança — para se dedicarem obstinadamente, em corpo e alma, à campanha de seus familiares e aproximados. A gestão do bem comum é paralisada e convertida em um comitê eleitoral privado de luxo.

Esse balcão de negócios familiares, contudo, não é uma exclusividade dos municípios baianos. O exemplo vem de cima. Na Presidência da República e no topo do poder federal, a lógica dinástica dita o ritmo do país há anos. A utilização do Palácio do Planalto e de ministérios como quartéis-generais para catapultar filhos a mandatos legislativos ou manter clãs regionais blindados pelo fundo partidário mostra que, no Brasil, o topo da República frequentemente se comporta como uma monarquia absolutista disfarçada de democracia. Enquanto o país debate reformas estruturais, o foco real do poder central muitas vezes se resume a garantir a perpetuação do próprio sobrenome nas urnas.

O Mecanismo da Máquina
A Asfixia de Novas Lideranças

A engenharia por trás dessas candidaturas familiares opera de forma quase industrial nas cidades polo do estado. O mecanismo é conhecido, mas raramente dissecado: prefeitos com alta aprovação ou controle rígido da máquina administrativa utilizam o orçamento público, o funcionalismo comissionado e o calendário de entregas e obras como um trampolim de transferência automática de votos.

Ao direcionar a estrutura municipal — que deveria servir à eficiência pública — para blindar e promover cônjuges, filhos ou sobrinhos, cria-se uma assimetria brutal no jogo eleitoral. O resultado é a asfixia de novas lideranças locais. Jovens quadros, lideranças comunitárias e profissionais técnicos sem herança política são sumariamente limados do processo, pois não possuem o principal ativo exigido pelos partidos: o controle de um feudo familiar.

O Infográfico dos Clãs
O Loteamento do Poder

A tabela abaixo expõe, de forma nua e crua, como o mapa político se divide entre as principais forças familiares, destacando a estratégia de expansão que alcança desde Brasília até o interior baiano.

Competência vs. Sobrenome
O Silêncio sobre o Preparo Técnico

A grande provocação que as urnas trazem não é a legalidade das candidaturas — já que a legislação permite que parentes se candidatem a cargos legislativos fora da jurisdição executiva direta —, mas sim a legitimidade do mérito.

Qual é o real preparo técnico, a formação administrativa ou o histórico de atuação social desses novos nomes que justificam sua ascensão ao topo das chapas partidárias? Na maioria dos casos, o debate de propostas é substituído pelo marketing estético da continuidade. O silêncio sobre a competência gestora desses herdeiros evidencia que sua maior virtude eleitoral é, fundamentalmente, a consanguinidade. A política passa a ser vista não como um espaço de representação, mas como uma empresa familiar de responsabilidade limitada.

O Veredito das Urnas
O Eleitor como Sócio ou Libertador

Enquanto os palácios municipais, as sedes de ministérios e os gabinetes em Salvador e Brasília são transformados em salas de reunião de empresas familiares, cabe ao cidadão comum pagar a conta da paralisia administrativa. O loteamento das vagas já está desenhado nos bastidores, mas o carimbo final ainda depende de um único fator: o voto de quem sofre diariamente com as deficiências dos serviços públicos.

O avanço dessas dinastias sobre o erário e o legislativo só prospera onde o eleitor aceita o papel de coadjuvante. Continuar votando em sobrenomes, em vez de biografias e propostas reais de trabalho, é assinar a perpetuação do próprio atraso. Diante da urna, o cidadão tem duas escolhas claras: comportar-se como súdito que valida a transmissão hereditária do trono político, ou agir como o legítimo dono do poder, quebrando as correntes do herdeirismo para abrir espaço a quem realmente tem competência para transformar a realidade. A caneta está na mão do povo; resta saber se ela continuará escrevendo a mesma velha história.

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