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CDL de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália alerta: organização da hotelaria e da gastronomia gera resultados reais

Mas o comércio ainda resiste à união e ao engajamento estratégico

CDL de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália alerta: organização da hotelaria e da gastronomia gera resultados reais
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O mês de junho, com as festividades do São João, escancarou novamente uma realidade que se repete há anos: o sucesso econômico de um setor não depende apenas da presença de turistas ou da realização de eventos, mas da capacidade de organização e mobilização de seus próprios empresários.

Enquanto a hotelaria local registrou uma média de 80% de ocupação durante o período, impulsionada pela articulação de seus líderes e pelo alinhamento com a promoção do destino, o comércio varejista enfrentou queda nas vendas, mesmo com alto fluxo turístico. A razão principal? Falta de participação, de integração e de planejamento coletivo.

A ABIH do Sul da Bahia, liderada pelo presidente Vinícius Oliveira, já representa mais de 30% dos hotéis e pousadas da região, um índice de engajamento acima da média nacional e que reflete diretamente no protagonismo do setor nas políticas públicas de turismo. A hotelaria, além de unida, é o único setor que investe com constância em ações de captação e divulgação do destino, participando de feiras nacionais e internacionais, ações promocionais, campanhas integradas e eventos estratégicos que ajudam a manter Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália como referência nacional no setor.

A ABRASEL, sob liderança de Alex Pasquale, também vem conquistando relevância e hoje representa cerca de 10% do setor de bares e restaurantes da região, fortalecida pela realização de grandes eventos como o Festival Gastronômico e o Festival Esquina do Mundo, que unem gastronomia, cultura e turismo em ações de impacto concreto na economia local.

Já a CDL de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, mesmo com um número absoluto de associados superior ao da ABIH e da ABRASEL, enfrenta um paradoxo: representa menos de 5% do total de cerca de 8 mil unidades comerciais formais e informais da região. Ou seja, o número de associados é significativo, mas proporcionalmente ainda muito aquém do necessário para gerar o impacto coletivo que o comércio local poderia exercer.

Esse desnível se torna ainda mais evidente nas reuniões das comissões coletivas, onde se discutem cláusulas trabalhistas, condições salariais, encargos e direitos diretamente relacionados aos custos operacionais de cada negócio. Nessas ocasiões, enquanto a hotelaria mobiliza entre 15 e 20 empresários, e o setor de alimentação reúne de 10 a 15 representantes, o comércio raramente apresenta mais de cinco empresários, o que revela não apenas desengajamento, mas um distanciamento preocupante com as pautas que mais impactam o próprio setor.

Além disso, o comércio não tem investido absolutamente nada em ações estruturadas de turismo ou promoção de destino. Enquanto a hotelaria, com recursos próprios, investe em marketing, participa de feiras, financia campanhas e impulsiona a imagem de Porto Seguro e Cabrália, o comércio espera por resultados sem se envolver em nenhuma etapa do processo.

É fundamental entender que não basta estar associado. É preciso estar presente, participar, agir coletivamente e pensar como categoria. Muitos comerciantes veem a CDL apenas como uma entidade para benefícios pontuais, mas esquecem que o papel central da CDL é político, institucional e estratégico. É por meio dela que se articulam políticas públicas, se promovem campanhas, se negociam pautas com os governos e se defendem os interesses da classe produtiva.

Em Santa Cruz Cabrália, a mobilização da hotelaria ainda é mais discreta do que em Porto Seguro, mas já começa a ganhar corpo. Hoje, pelo menos 10 hotéis e estruturas hoteleiras em Cabrália atuam conjuntamente na divulgação e promoção do destino, participando ativamente de campanhas e eventos regionais. Em Porto Seguro, esse número é muito maior: entre 60 e 70 hotéis estão mobilizados em ações permanentes de promoção turística — atuando não só com recursos, mas com presença estratégica.

A CDL reforça que o comércio é o setor mais numeroso da economia local, com um potencial gigantesco de influência e resultado. Mas sem união, esse potencial se dispersa. O comerciante precisa entender que ninguém gera resultados sozinho, e que as conquistas da hotelaria e da gastronomia são, antes de tudo, fruto de organização, comprometimento, investimento coletivo e visão de longo prazo.

A concorrência entre lojistas, quando colocada acima da colaboração, destrói a força institucional da categoria. O comerciante precisa sair da posição de espectador e ocupar seu papel de agente de transformação, participando das decisões que afetam diretamente o futuro da cidade e do seu próprio negócio.

O futuro do comércio não está apenas na vitrine, mas na visão coletiva. E Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália só vão avançar de verdade quando todos os setores falarem e agirem com a mesma força e unidade.

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