A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3/7), a Operação Exchange. O objetivo é desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Os alvos incluem investigados que sofreram sanções recentes do governo dos Estados Unidos por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.
Os Principais Alvos
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Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira (34 anos): Presa na operação desta sexta-feira. Segundo o governo americano, ela é parente de Victor Shimada e atuaria como sua "secretária" e intermediária para a coleta de grandes quantias em espécie.
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Victor Henrique de Oliveira Shimada: Empresário apontado pelos EUA como "elo fundamental" com o PCC. Ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em diversas cidades norte-americanas. Shimada não foi localizado em seus endereços e é considerado foragido.
Histórico: O governo norte-americano apontou que Victor Shimada já havia sido preso pela PF em janeiro de 2025, sob a acusação de lavar dinheiro ilícito de um clube de futebol brasileiro em um esquema fraudulento de patrocínio (embora o nome do Corinthians não tenha sido citado nominalmente no comunicado oficial dos EUA).
Empresas Sancionadas
As investigações apontam o uso de empresas no Brasil e no exterior para a movimentação dos valores. As companhias que sofreram sanções do governo americano são:
Avenidas Flutuantes Unipessoal LDA (Setúbal, Portugal)
Wave Construções Inteligentes LTDA (Santos, Brasil)
Pixwave Soluções de Pagamentos LTDA (São Paulo, Brasil)
Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda (São Paulo, Brasil)
Como Funcionava o Esquema
De acordo com a PF, o grupo utilizava um sistema estruturado para ocultar o dinheiro do crime através de:
Transferências ilícitas de criptoativos;
Transporte de dinheiro em espécie;
Operações bancárias de alto valor;
Repasses complexos entre pessoas físicas e jurídicas.
Os suspeitos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O Impacto das Sanções Americanas
Com a inclusão dos investigados na lista de sanções dos EUA, todos os bens e ativos de Shimada e Stella no país foram bloqueados. Além disso, cidadãos e empresas norte-americanas estão proibidos de fazer negócios com eles.
A ofensiva ocorre poucas semanas após o governo de Donald Trump classificar oficialmente o PCC e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), em medida assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, no dia 5 de junho. A classificação amplia o poder de alcance das sanções financeiras de Washington.
Nota da Defesa
"A defesa tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas. Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis."

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