A política é feita de bases, presença e estrutura. Mas no PL da Bahia sob o comando do ex-ministro João Roma, a conta não tem fechado para quem está na ponta tentando construir candidaturas reais.

Notícias recentes apontam um cenário incômodo nos bastidores do partido no estado: pré-candidatos a deputado e lideranças regionais estão precisando desembolsar recursos do próprio bolso para rodar materiais básicos de campanha, santinhos e casadinhas com os nomes nacionais do partido, como o senador Flávio Bolsonaro e o próprio Jair Bolsonaro.

O gargalo não é falta de fundo partidário ou eleitoral no diretório nacional, mas sim a centralização e a falta de visão estratégica na distribuição de recursos por parte da executiva estadual.

Centralismo e Distanciamento das Bases

Desde que assumiu a direção do PL baiano, João Roma tem sido alvo de críticas contínuas por isolar correntes internas, focar esforços apenas na sua bolha ou em capitais, e deixar o interior da Bahia desassistido.

Enquanto discursa em nome do bolsonarismo e da "direita unida", a prática revela uma estrutura burocrática e inoperante que obriga os candidatos locais a agirem como "pobres com orgulho" — bancando a própria estrutura, enquanto a executiva segura as rédeas do fundo.

As Três Falhas da Gestão Roma no PL Baiano:

  1. Abandono do Interior: Candidatos no sul, extremo sul e oeste da Bahia relatam abandono logístico. O material não chega, a verba não desce, e o apoio político limita-se a fotos de redes sociais.

  2. Uso Ególatra da Sigla: O partido tem servido mais como plataforma pessoal para os projetos de Roma do que como uma incubadora de novas lideranças conservadoras no estado.

  3. Militância Desmotivada: Sem repasse de estrutura mínima para o corpo a corpo nas ruas, o eleitorado conservador da Bahia perde força de mobilização frente à máquina do governo estadual e à oposição tradicional.

O Custo Político

Bancar o próprio material para promover as figuras nacionais do partido evidencia o compromisso do candidato da ponta, mas expõe a falência do suporte partidário regional. Se o objetivo do PL era se consolidar como uma força orgânica e gigante na Bahia para os próximos pleitos, o modelo de gestão atual atua na direção contrária: desidrata a base, frustra os aliados e enfraquece a própria direita no estado.

Política não se faz apenas com discurso em estúdio e postagem no Instagram. Faz-se com pé no chão, santinho na mão e respeito a quem carrega o piano no interior.