Um dos pequenos rios da zona norte de Porto Seguro, o Chamagunga, que nasce próximo ao Rio Mundaí e deságua no Rio dos Mangues, atravessa uma das regiões mais populosas da cidade, cortando bairros como Mundaí, Taperapuan, Village I e Paraíso dos Pataxós. Porém, apesar de sua importância ambiental e urbana, o rio tem sido vítima de décadas de intervenções mal executadas e descaso público.

Boa parte do leito do Chamagunga foi canalizado em obras que, segundo moradores e relatos locais, não passaram por fiscalização rigorosa durante sua execução. O resultado são constantes transbordamentos, especialmente nos trechos ainda descobertos, que insistem em mostrar a luz do sol em meio a tanto concreto.

Às margens da Rua do Telégrafo, um dos pontos mais afetados, o cenário é de constante alagamento durante períodos de chuva, o que traz prejuízos e riscos à população.

Nos últimos dias, a Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria de Serviços Públicos, iniciou uma ação emergencial de limpeza em alguns pontos do canal. O trabalho envolve a retirada de entulhos, desobstrução de galerias e mutirões com participação de moradores, numa tentativa de aliviar os impactos causados por anos de abandono e intervenções mal planejadas.

Embora necessária, a ação tem caráter paliativo, já que não resolve os problemas estruturais que há décadas comprometem o fluxo natural do rio e a segurança da população do entorno. Moradores apontam que sem um projeto de drenagem completo, com responsabilidade técnica e transparência, a história se repetirá a cada estação chuvosa.

“O que a gente vê agora é boa vontade, mas o problema foi criado por anos de descaso. Não é limpando entulho que se resolve uma década de erro”, comenta um morador do Paraíso dos Pataxós que participou do mutirão.

Enquanto isso, o Chamagunga segue seu curso — ou tenta seguir — em meio ao concreto, ao lixo urbano e à falta de planejamento. E a população, mais uma vez, paga a conta.