Quais são as principais criptomoedas do mercado mundial?

Por Kevin Eleto

Dando sequência ao último artigo que explicou o conceito central sobre moedas digitais, agora iremos apresentar as principais moedas desse vasto mundo. Mesmo que Bitcoin seja a criptomoeda mais conhecida, ao ponto dessas duas palavras serem muitas vezes confundidas como sinônimos, existe uma grande variedade de outros tipos dessas moedas, com características bem distintas. Conheça as principais criptomoedas disponíveis no mercado:
Bitcoin
Bitcoin (BTC) é a mais famosa das moedas virtuais. Esse se refere ao primeiro sistema de pagamentos global totalmente descentralizado. Foi projetado em 2008, em meio à crise financeira mundial iniciada no mercado americano de hipotecas, com o objetivo de substituir o dinheiro físico, além de acabar com a necessidade da atuação de bancos para intermediar operações financeiras. A primeira especificação do Bitcoin e prova de conceito foram publicados
em um artigo assinado por Satoshi Nakamoto, pseudônimo de um programador (ou grupo de programadores) até hoje não identificado. Ele desenvolveu a lógica de funcionamento do blockchain, sistema descentralizado de qualquer pessoa, órgão governamental ao empresa, que possibilitou a existência do Bitcoin. Satoshi determinou a sua escassez, já que que haverá no máximo 21 milhões de bitcoins em circulação, em todo mundo, após o final do processo de
mineração delas. Esse processo foi explicado no último artigo “Criptomoedas. O que é isso?” e será mais aprofundado no próximo “Bitcoin”.
Bitcoin Cash
O Bitcoin Cash (BCH) é uma recente versão do Bitcoin, criada em 2017. Ela foi criada numa tentativa de aperfeiçoar a moeda original, que possui taxas consideradas elevadas no mundo das moedas digitais e necessita de um tempo maior de processamento de cada operação. A principal diferença é que o Bitcoin Cash possui um limite de tamanho de bloco de 8 MB de armazenamento de dados, bem maior que o de 1 MB do primeiro Bitcoin. Por esse motivo, as confirmações das transações na blockchain, podem acontecer de maneira mais rápida e também com taxas mais baixas, por possuir mais informações. Esse fato garante a ela uma escala ainda maior que a da sua antecedente. Os investidores que tinha Bitcoins, recebeu em suas carteiras a mesma quantidade de Bitcoin Cash quando foi criada. As regras de funcionamento são bem semelhantes às do ativo original, também possui um limite de 21 milhões de moedas existentes, quando também finalizado o processo de mineração.
Ethereum
Ethereum (ETH) e Bitcoin são moedas bem semelhantes, ambas utilizam o blockchain como base para a validação das transações, para certificar a segurança e ainda evitar fraudes. E assim como Bitcoins, a criação de novas moedas também se baseia no processo de mineração. A ideia é recompensar com a própria moeda os desenvolvedores pelo uso da plataforma Ethereum em seus projetos. Essa é uma plataforma descentralizada utilizada para executar
“contratos inteligentes”, que são operações realizadas automaticamente quando certas condições são cumpridas. Nesse momento, o Ethereum está entre as moedas digitais mais negociadas do mundo. A moeda digital, se chamava Ether, quando foi lançada em 2014, porem dois anos depois, um hacker achou uma falha no sistema e a partir dela foi possível roubar o equivalente a US$ 50 milhões em Ether. Perante as dúvidas sobre o que seria do futuro dessa moeda, a comunidade que a mantinha optou por criar uma nova rede, passando a se chamar de Ethereum Classic e a moeda que começou a circular na nova rede ganhou o nome de Ethereum. E com o apoio e adesão de novos compradores/investidores, hoje ela vale mais que a sua
primeira versão.
Tether
O Tether (USDT), que foi lançado em 2014 por uma empresa de mesmo nome, ao contrário da maioria das criptomoedas, é uma stablecoin, por possuir lastro em uma moeda física. A proposta inicial, era que essa moeda mantivesse uma paridade com o dólar americano. Então, para cada Tether emitido é necessário haver um dólar equivalente em caixa. Desde que essa moeda digital foi criada, vários especialistas questionam essa paridade, já que a empresa não oferecia transparência o suficiente sobre como fazia para segui-la. Em 2019, foi anunciado que nem todo Tether estava realmente lastreado em um dólar e conforme informações da empresa, 100% deles eram garantidos, mas não apenas por moeda tradicional, mas também por equivalentes de caixa e outros ativos feitos pela Tether (empresa) a terceiros. A melhor característica dela é ser uma moeda estável, com uma moeda física no mundo digital. Devido à
menor volatilidade, ele se tornou uma boa opção para realizar transferências entre sistemas e com diferentes criptomoedas. Desse modo, seus usuários se protegem das variações de preço de outros ativos e evitam o risco de ter perdas significativas durante essas operações. Porem por ser uma moeda diretamente ligada a uma moeda física, e ter seu processo de criação e venda centralizado a uma empresa, torna essa moeda pouco atrativa a investidores que desejam alta rentabilidade e segurança.
Ripple
O Ripple (XRP) é um protocolo de pagamento distribuído criado em 2011, e a moeda desse sistema é a XRP. Uma característica da plataforma Ripple é suportar na sua rede outros tokens (assunto esse que vamos tratar em um próximo artigo) representando moedas tradicionais e até outros bens. A ideia é que o sistema permita a realização de pagamentos seguros e instantâneos. Idealizado pelo desenvolvedor Ryan Fugger, o empresário Chris Larsen
e o programador Jed McCaleb, o Ripple foi criado em 2012. Não se trata apenas de uma moeda, mas de um sistema em que qualquer criptomoeda possa ser negociada. De certo modo, o funcionamento Ripple se assemelha de alguma maneira ao dos bancos, por aceitar vários ativos e facilitar a realização das transações. Justamente por isso, o Ripple vai na contramão do discurso sobre as moedas digitais em geral, que têm como ideal a não dependência do sistema
financeiro tradicional para realizar operações. Outra característica diferente desse sistema é a inexistência de um processo de mineração, como no caso do Bitcoin e do Ethereum.
Litecoin
O Litecoin (LTC) foi desenvolvida em 2011 por um ex-funcionário do Google chamado Charlie Lee e possui algumas características semelhantes ao Bitcoin, como a segurança das transações, garantia de autenticidade de cada moeda criada e na base de funcionamento das blockchains. Porém o que chama mais a atenção, são suas diferenças, sendo a principal o processo de mineração, que busca reduzir o tempo necessário para confirmar transações feitas com a moeda. A ideia é de que fosse mais fácil para qualquer usuário participar do processo de criação de novos Litecoins. Por conta do processamento mais rápido de transações, o Litecoin é considerado uma alternativa bem melhor para a realização de operações no dia a dia. E outra diferença é que ela foi projetado para produzir mais unidades, com um limite de 84 milhões de moedas, contra 21 milhões do Bitcoin, aumentando assim a sua disponibilidade no mercado

Kevin Eleto – Empresário
Presidente da Unilideres

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