Ao longo de décadas, o Brasil alimentou um modelo de Estado empresário, responsável por setores essenciais da economia. No entanto, os fatos mostram que as estatais brasileiras, quando geridas pelo governo, sofrem de crônicos problemas de ineficiência, interferência política, corrupção e baixa produtividade. Em contrapartida, empresas privatizadas não apenas se tornaram mais lucrativas, como passaram a arrecadar mais impostos e a oferecer serviços melhores à população. A tese é clara: as estatais brasileiras só são eficazes quando privatizadas ou convertidas em empresas de economia mista com capital majoritário privado e forte regulação.
Vale S.A.: de estatal barata a gigante global
Privatizada em 1997 por cerca de R\$ 3,3 bilhões, a antiga Companhia Vale do Rio Doce foi acusada de ter sido vendida por preço de banana. Contudo, a realidade expôs o equívoco dessa narrativa. Hoje, a Vale vale mais de R\$ 300 bilhões, gera bilhões em dividendos para seus acionistas e pagou, só em 2022, R\$ 42,3 bilhões em impostos e royalties ao governo, segundo dados do Ministério da Fazenda. Ou seja, em um único ano, a empresa entregou ao Estado mais do que valia inteira como estatal.
De acordo com o professor Gesner Oliveira, da FGV, a Vale é o melhor exemplo de como uma privatização bem-feita permite que uma empresa realize seu potencial competitivo em nível global (Exame, 2022).
Telefonia: o salto da exclusão ao acesso universal
Antes da privatização da Telebrás em 1998, o Brasil tinha apenas 23 milhões de linhas fixas. Era comum esperar até dois anos por uma linha telefônica, e o custo chegava a dezenas de salários mínimos. Após a abertura do setor e a criação da ANATEL, o país ultrapassou 240 milhões de linhas móveis ativas, com acesso à internet 4G e 5G em todo o território nacional.
Segundo Armando Castelar, autor de "Privatização no Brasil" (FGV, 2002), a transformação da telefonia no Brasil só foi possível porque o capital privado foi incentivado a investir em larga escala, sob regras claras e ambiente de concorrência.
Eletrobras e Chesf: investimento sem depender do Tesouro
A privatização parcial da Eletrobras, concluída em 2022, permitiu que a companhia deixasse de depender do Orçamento da União. Agora, a Eletrobras pode captar recursos diretamente no mercado, realizar investimentos em infraestrutura e diversificar sua matriz energética, sobretudo com foco em energias renováveis. A Chesf, antes limitada por decisões políticas, hoje atua com mais liberdade técnica e econômica.
Para Adriano Pires, economista do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o Brasil precisa tirar o Estado de onde não é essencial e permitir que a iniciativa privada traga capital, inovação e eficiência. A Eletrobras é o exemplo moderno de como isso é possível (CNN Brasil, 2022).
Petrobras: entre a soberania e o prejuízo político
A Petrobras, apesar de ser uma empresa de economia mista, ainda é fortemente controlada pelo Estado, e sofre intervenções políticas frequentes. O maior escândalo da história da empresa — e um dos maiores casos de corrupção do mundo — foi revelado pela Operação Lava Jato, que identificou desvios bilionários em contratos fraudulentos, superfaturamentos e uso político de recursos da empresa.
Segundo relatório da própria estatal ao TCU, os prejuízos diretos com os escândalos somaram mais de R\$ 88 bilhões, sem contar o impacto indireto no valor de mercado da empresa e na percepção internacional sobre a governança brasileira. Como reflexo, o preço dos combustíveis oscilou com base em interesses eleitorais e não econômicos, gerando instabilidade no setor e sofrimento ao consumidor.
Segundo Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do BNDES, a Petrobras não pode continuar sendo cabide de empregos e balcão de favores políticos. Privatizá-la com regulação forte seria um ganho ao país, não uma perda (Estadão, 2020).
E o INSS? O rombo da previdência e o modelo falido
O INSS é outro exemplo claro da falência do modelo estatal brasileiro. Em 2023, o rombo da previdência ultrapassou R\$ 92 bilhões, conforme apontado pela Secretaria do Tesouro Nacional. O sistema atual, baseado na repartição simples (em que os jovens sustentam os aposentados), tornou-se insustentável diante do envelhecimento populacional e da informalidade crescente.
Comparado a países como Chile, Canadá e Suécia, que adotaram sistemas de capitalização individual (com gestão privada e regulação estatal), o Brasil está décadas atrás. Nesses países, os trabalhadores têm contas individuais de previdência, que funcionam como uma poupança forçada e rentável, muitas vezes vinculada a grandes fundos de pensão com retornos de longo prazo.
O economista Pérsio Arida, um dos idealizadores do Plano Real, defende a migração para esse modelo: A previdência precisa funcionar como um investimento pessoal, com liberdade de escolha, e não como um buraco negro de transferência intergeracional forçada (Folha de S.Paulo, 2018).
Além disso, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações, reforça: Se o sistema fosse privado, a rentabilidade dos fundos compensaria o envelhecimento populacional. Hoje o INSS é um sistema insustentável que só sobrevive com rombos fiscais (GloboNews, 2023).
O Estado deve regular, não operar
A função do Estado moderno não é operar empresas, mas garantir que elas funcionem com justiça, segurança e competitividade. Ao manter empresas estatais sob sua gestão direta, o governo brasileiro compromete recursos que deveriam ser investidos em educação, saúde, segurança e infraestrutura.
A privatização, quando feita com planejamento, regulação sólida e foco no interesse público, não significa entregar o patrimônio do povo, mas sim tirar da burocracia aquilo que a iniciativa privada pode fazer melhor.
O Brasil precisa sair do modelo ineficiente de Estado empresário e abraçar o modelo de Estado regulador, como fazem os países mais desenvolvidos. Só assim deixaremos de ver rombos bilionários, gasolina cara, aposentadorias ameaçadas e serviços públicos de má qualidade.

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