Farmacêutica afirma que remédio contra a Covid-19 reduz em 50% o risco de internações e mortes

Estudo ainda não revisado pelos pares foi realizado em 775 voluntários infectados pela forma leve ou moderada da doença e com maior risco para desenvolver um quadro grave

A farmacêutica Merck anunciou nesta sexta-feira, 1º, que seu remédio oral contra a Covid-19, o molnupiravir, reduziu em 50% o risco de internações e mortes pela doença para pacientes de risco. A Merck e a parceira Ridgeback Biotherapeutic planejam pedir autorização para uso emergencial do medicamento para a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) “o mais rápido possível”. As empresas também enviarão solicitações a agências regulatórias de outros países. O estudo de fase 3 foi realizado com 775 voluntários infectados pela forma leve ou moderada da Covid-19 e com maior risco para desenvolver um quadro grave da doença, como obesidade, idade avançada, diabetes mellitus e doenças cardíacas. Os pacientes receberam o comprimido cinco dias após o início dos sintomas. O molnupiravir é um remédio administrado via oral que busca inibir a replicação do SARS-CoV-2.

De acordo com os resultados, 7,3% dos pacientes que receberam molnupiravir foram hospitalizados ou morreram cerca de 29 dias após a administração do remédio. Depois desse período, nenhuma morte foi relatada em pacientes que receberam o medicamento. Em relação aos pacientes que receberam o placebo, 14,1% foram hospitalizados ou morreram nos primeiros 19 dias dos testes. Depois desse período, oito pessoas que receberam o comprido inativo morreram. Segundo a pesquisa, o molnupiravir reduziu o risco de hospitalização e/ou morte em todos os subgrupos principais. A eficácia do remédio não foi afetada pelo tempo de início dos sintomas ou pelos fatores de risco subjacentes. O medicamento mostrou também eficácia contra as principais variantes de preocupação do vírus: Gama, Delta e Mu.

Efeitos colaterais foram relatados tanto no grupo que recebeu o molnupiravir quando no placebo, com uma incidência de 35% e 40%, respectivamente. A pesquisa não detalha quais foram esses eventos. Cerca de 1,3% dos voluntários que receberam o tratamento interromperam a terapia do estudo devido a um evento adverso frente a 3,4% dos que receberam placebo. O estudo, que não não teve revisão por pares, ainda teria uma outra fase com 1.500 voluntários, mas, por recomendação de um Comitê de Monitoramento de Dados Independente e em consulta com FDA dos EUA, a Merck decidiu interromper o recrutamento precocemente devido aos resultados positivos. A empresa espera produzir 10 milhões de doses até o final de 2021. Um contrato já foi firmado com o governo estadunidense para o fornecimento de 1,7 milhão de doses, caso tenha autorização da agência regulatória.

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