Criptomoedas. O que é isso?

Por Kevin Eleto

Mesmo quem nunca investiu nesse tipo de mercado, já ouviu falar de pelo menos uma vez no nome de alguma criptomoeda, bem provável que deva ter sido foi o Bitcoin, por ser a primeira moeda digital, a mais famosa e a que atingiu valores estratosféricos nos últimos dias, na casa dos 340 mil reais. Essa ascensão movimentou demais todo o universo de moedas digitais e provavelmente surpreendeu muitas pessoas, pelos altos e baixos nos valores no noticiário. Tal volatilidade trouxe mais relevância e também interesse de novos investidores.
Mas afinal descontas, o que é uma criptomoeda?
Como funcionam esses ativos e como é sua negociação? Listei aqui algumas informações pensando em você que quer dar os primeiros passos no mundo das moedas digitais e precisa saber por onde começar, por ser uma classe de ativos nova no mercado financeiro gera muitas dúvidas, mas estamos aqui para esclarecer algumas delas.
O que são Criptomoedas?
O Termo criptomoeda, é devido ao meio de troca que se utiliza da criptografia para assegurar transações online e para controlar a criação de novas unidades da moeda. Em outras palavras, é um dinheiro virtual usado para pagamento online e que pode ser transferido por um computador ou smartphone, entre usuários, diretamente uns com os outros sem precisar de uma instituição financeira intermediária. De modo geral, moedas digitais são um tipo de dinheiro, como qualquer outra moeda que tratamos no nosso dia a dia, com a diferença de ser totalmente digital. Além disso, ela não é emitida por nenhum governo, como exemplo do real ou do dólar. Para explicar melhor, vou recorrer as palavras de Fernando Ulrich, autor do livro Bitcoin: A moeda na era digital, que faz uma comparação bem fácil de ser entendida: “O que o e-mail fez com a informação, o Bitcoin fará com o dinheiro”. Antes do advento da internet, as pessoas precisavam dos correios para enviar uma mensagem que estivesse em outro lugar. Era necessário um intermediário para entrega a carta fisicamente, o que geralmente demorava dias ou até mesmo semanas para chegar no seu destino, tal situação nos dias de hoje é inimaginável para nós que temos acesso a e-mail e outros serviços de envio digital de mensagens, que realizam esse serviço em segundos. Tal processo está acontecendo de maneira bem semelhante com as moedas virtuais na atualidade. Com o elas é possível transferir valores de A para B em qualquer parte do mundo sem precisar de um terceiro para realizar essa simples tarefa.

Para que servem
Criptomoedas podem ser utilizadas com as mesmas finalidades do dinheiro físico que conhecemos. As principais funções são: servir como meio de troca, facilitando as transações comerciais; reserva de valor, para a preservação do poder de compra no futuro, por não sofrerem inflação (como sofrem as moedas físicas tradicionais); e também pode servir como unidade de conta, quando os produtos são precificados e o cálculo econômico é realizado em função dela, porém essa última utilidade ainda não é muito aproveitada devido, e a sua grande volatilidade a que seus preços estão sujeitos por enquanto.
Como conseguir
Para ter esse “dinheiro”, é necessário comprar com dinheiro real em plataformas de negociação de moedas virtuais, que funcionam como casas de câmbio online. Outra forma é minerar essas moedas (processo que irei explica no próximo tópico), porem se faz necessário ter um computador com um bom hardware e com software específico, chamados de Miner. Além dessas duas maneiras, existem outras maneiras de se conseguir Criptomoedas. Alguns sites e aplicativos distribuem para os usuários gratuitamente, que devem apenas manter-se logados para ganhar esse dinheiro, ou para utilizá-lo numa espécie de loteria virtual, como se fosse um jogo.
O que é mineração?
Por mais que pareça uma tarefa física, a mineração de Criptomoedas é na realidade, uma atividade digital realizada por computadores que buscam soluções para equações matemáticas. Dessa modo, é o processo no qual são validadas e registradas as transações dessas moedas sem um controle central, dessa ação bem executada surge o pagamento com a própria moeda. O termo mineração é utilizado em referência a extração de ouro, que é um dos metais mais preciosos da Terra e que igualmente muitas moedas virtuais, possuem somente um número limitado e previamente conhecido de unidades que poderão ser mineradas.
Em outras palavras, a mineração representa a criação de novas unidades de alguns tipos de moedas digitais. Se mais computadores passam a ser usados para aumentar a capacidade de processamento voltada à mineração, os problemas matemáticos que precisam ser resolvidos se tornam mais difíceis. Isso acontece exatamente para limitar o processo de
mineração.

Como funciona a variação de preço
Basicamente, o preço das moedas digitais varia segundo a boa e velha lei da oferta e da demanda. Nas épocas em que as Criptomoedas ganham mais atenção, é normal que elas sejam mais procuradas pelos investidores, o que amplia o volume de compras – e consequentemente, os preços tendem a subir. Por ser um mercado ainda pequeno, poucas operações com Criptomoedas são capazes de causar um impacto relevante nas cotações. Em um período de apenas três meses em 2020, por exemplo, o preço do Bitcoin saltou de cerca de 50 mil reais para valor de 100 mil, mais 3 meses adiante ultrapassou a barreira dos 300 mil. Como já acontecido no passado em outras grandes subidas, espera-se que o seu valor caia bastante nos próximos meses, demonstrando o tamanho de sua volatilidade nas cotações.
Vantagens e riscos de investir em Criptomoedas
Criptomoedas são ativos recentes e com um funcionamento bastante sofisticado de operação. Por esse motivo, ainda há muita gente procurando entender melhor como trabalhar com elas. As moedas digitais têm algumas vantagens sobre moedas físicas e outros meios de pagamentos, vamos a elas:
Liberdade de pagamento: possibilidade de enviar ou receber qualquer valor instantaneamente em qualquer lugar.
Taxas baixas: pagamentos realizados com moedas digitais são processados com taxas baixas ou até isentas. Há cobranças caso os usuários desejem ter uma confirmação mais rápida das operações pelo sistema. Para o comércio em geral, existem serviços baseados em Bitcoins, como PayPal ou redes de cartão de crédito.
Segurança: pagamentos podem ser realizados sem vincular informações pessoais do usuário à transação. Esse fato deixa o processo com uma forte proteção contra furto de identidade e demais dados. Outra vantagem é que o usuário pode proteger o dinheiro com cópias de segurança e criptografia.
Transparência: Todas as informações sobre a oferta de unidades de algumas Criptomoedas como Bitcoin, ethereum e Bitcoin cash, ficam disponíveis na blockchain para qualquer pessoa, que seria uma espécie de livro contábil de todas as transações dessas moedas digitais. Absolutamente nenhuma pessoa ou organização, consegue controlar ou manipular o protocolo dessas moedas porque ele é criptografado. Com isso, esse núcleo é conhecido por sua confiabilidade, neutralidade, transparência e previsibilidade.
Porem existem os pontos negativos dessas moedas, é preciso estar atento para uma série de detalhes que são específicos desse segmento, como:
Grau de aceitação: Como uma quantidade relativamente pequena de pessoas conhece e – menor ainda – usa as moedas digitais, são poucos os estabelecimentos que aceitam essa forma de pagamento.
Volatilidade: Grandes ajustes de preços são frequentes com Criptomoedas, isso acontece exatamente porque, aos poucos, essas moedas estão ganhando visibilidade, o que atrai muitos novos usuários e acaba sobrevalorizando o ativo, como ocorreu recentemente com a enorme compra de Bitcoins por Elon Musk, fazendo o valor dessa moeda disparar no mercado. Esses ajustes se parecem muito com as bolhas especulativas do mercado tradicional, coberturas da imprensa otimistas em demasia provocam ondas de novos investidores a pressionar para cima o preço das moedas virtuais. Essa alta nos valores então, atinge um ponto de inflexão, e o preço finalmente despenca, alguns analistas acreditam que o amadurecimento do mercado e do sistema tendem a reduzir a volatilidade ao longo do tempo.
Como investir em Criptomoedas
Existem algumas formas de investir ou adquirir moedas digitais. É possível comprar cotas de fundos de Criptomoedas, negociá-las diretamente em uma corretora especializada (também conhecida como exchange), aceitando as moedas digitais como pagamento em algum negócio ou ainda minerando. Adquirir cotas de fundos é uma das formas mais simples. Em 2018, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitiu que os fundos brasileiros fizessem investimentos indiretos em criptomoedas no exterior – comprando derivativos ou cotas de outros fundos, por exemplo.
Outra forma relativamente simples de investir é por meio de uma corretora especializada. Existem algumas casas no Brasil, chamadas de exchanges, que oferecem esse tipo de serviço. O primeiro passo é abrir uma conta na exchange, preenchendo um cadastro com dados pessoais. É possível que ela solicite a apresentação de alguns documentos ou cópias deles para validar a identidade do investidor. Algumas corretoras adotam mecanismos extras de proteção, além das usuais senhas, como tokens. Se for o caso da Exchange que você tiver escolhido, será preciso fazer as devidas ativações. Depois, basta transferir dinheiro para a conta e começar a operar.

Kevin Eleto
Empresário Radicado em Poro Seguro e
Presidente da Unilideres

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