Consciência turística

Por Vinicius Brandão

Amigos e queridos turistas que tanto amamos receber e recepcionar em nossas terras. Através dessa postagem peço um momento se reflexão.

Existe uma diferença grande entre comprar produtos ou adquirir um serviço e eu sei que é confuso na mente de muitos compreender ou querer aceitar isso.

Quando você senta em uma barraca de praia, um restaurante, um bar, por exemplo, ou consome os produtos do frigobar de um hotel que se hospeda, tem que considerar que não está adquirindo um item ou uma bebida, um produto ou algo assim e sim um serviço. Isso mesmo, SERVIÇO.

O restaurante não te vende comida! Quem te vende comida é mercado. O restaurante te vende o serviço de te oferecer, dentro de uma estrutura, junto a sua equipe, a alimentação ou bebida que você escolher, quente ou gelada, fresca, com pratos, talheres, copos, guardanapos, mesa, cadeiras exclusivamente disponibilizados para você. Ter essa consciência é legal.

O hotel não te vende produtos de frigobar, o hotel te vende o serviço de ter à disposição, em seu apartamento, itens estocados exclusivamente para o seu consumo. Nada melhor que se hospedar e ter uma bebida gelada em seu quarto, um chocolate ou salgadinho pros seus filhos, principalmente ao chegar de madrugada. Isso se chama CONFORTO. Para esse frigobar estar disponível e abastecido existem dedicados setores de compras, estoques, reposições, manutenções constantes de frigobar, que se pagam pelo pouco volume de vendas, não se comparando com os mercados que faturam com a quantidade vendida.

Quer levar a própria bebida pra uma estrutura em frente ao mar? Então não vá pra uma barraca de praia. Compre uma cadeira, uma mesa, um guarda-sol e um cooler, leve suas bebidas e comidas e se sirva, sozinho, sem atendimento personalizado, em uma área aberta em frente ao mar.

Quer tirar os produtos do frigobar do seu hotel e colocar os que você comprou no mercado? Negocie com a sua hospedagem essa situação e não retire os itens do frigobar pra colocar os seus no lugar, pois isso gera um grande prejuízo ao estabelecimento: as cervejas e refrigerantes estragam, a água altera o sabor e os sucos podem fermentar. É justo a sua economia ser o prejuízo de alguém? Então, seja coerente! Sempre veja as possibilidades. Há hotéis que cobram taxa de liberação do frigobar. Assim como há restaurante que cobram a taxa de rolha para que você possa levar a própria bebida. Outra coisa, não consumam os produtos de um frigobar, depois vão ao mercado, compra outro pra repor. Isso é desonesto. Você usufruiu de um serviço e o trocou, sem combinar, por um produto.

Vamos trabalhar a consciência de ambos os lados: empresa x cliente. Bons serviços e conforto custam alto pra existirem: estrutura, equipamentos, água, luz, telefone, mão-de-obra, contabilidade, produtos, cotação, estudo de mercado, impostos, alvarás diversos, manutenção, tecnologia, treinamento e constantes investimentos em publicidade, além de atualização da demanda a oferecer. Isso tudo é caro, muito caro, mas vale a pena cada centavo quando a consciência do cliente reconhece o esforço para existir e manter cada empreendimento.

Por este motivo muitos estabelecimentos exigem consumo mínimo para atender. Se a consciência dos desafios de existência de cada empresa for alcançada aos clientes, não somente teremos serviços cada vez mais qualificados e maior diversidade de ofertas, como teremos também mais geração de empregos e uma ampliação de variedades de ambientes para garantir cada novo atendimento.

Boa sorte e boa viagem a todos!
O Turismo do mundo, te espera!


Vinicius Brandão
Jornalista e Empresário Hoteleiro em Porto Seguro/Ba

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